2 de fevereiro de 2017

Mudar de vida

Mudar de vida. Elevar o meu voo ao nível dos teus passos. Asa aberta do grifo sobre a inclemência dos penhascos. No fundo dos quais, desde sempre, dorme um rio. Um rio de águas líquidas, desenhando na fronteira a elegância do repouso das cegonhas. E a silhueta doce e sensual dos dias nas colmeias. A promessa ardendo no pavio das velas que se acendem na dimensão dos santuários. É de mel toda a madrugada que começa, o silêncio das horas varrendo o nevoeiro. O som metálico dos sinos das igrejas, como os faróis, assinalando a entrada das barras submersas.


É sob a chuva que te realizas, quando caminhas. E o meu olhar te procura do cimo de todos os miradouros, atravessando os cumes da serrania. Enquanto dormes um sono longo, o branco amarrotado dos lençóis sorrindo nos teus braços. Como as asas abertas de um anjo tirado das ilustrações dos antigos livros infantis. Há-de haver manhã, quando a geada cobrir as ervas que crescem à entrada da porta. E tu acordares, cansada da noite.


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