7 de abril de 2013

Estado social ao domingo de manhã


Em calendário de primavera serôdia, um domingo chuvoso e frio que torna a cidade deserta e as ruas tristes. Um vulto esquivo, um guarda-chuva aberto, uma rabanada de vento mais forte, mais destroços na valeta para a recolha do lixo. O passo que se alarga, a corrida breve, a procura de refúgio num portal qualquer, o abrigo precário, como o emprego. Se o houver, o portal, o emprego e o tal estado social.



A força anímica que falta, e que acabou a fazer dobrar os joelhos ao ministro das equivalências, a prioridade dada ao emprego para que o desemprego cresça, o futuro do país preso por 15 euros de aumento no salário mínimo, que os empresários condicionam e o governo patrioteiro, decididamente, rejeita. O emprego em português que o país já não oferece a ninguém, nem a licenciados num domingo destes, com equivalências daquelas e filosofias de Paris, a bordo de um "bateau mouche", em pleno Sena, a imponência da Torre Eiffel por fundo.

Procuram-se e recomendam-se “financial advisers”, ninguém sabe se existem consultores financeiros e para que servem, nenhuma universidade tem cursos que os formem, sete dias por semana, em regime de equivalências e pagamento de propinas em prestações suaves, com juros à dimensão da voracidade da troika. Oferecem-se oportunidades a pessoas qualificadas para “assets management” mas não há emprego nem ocupação, seja de que natureza for, para gestores de activos ou de carteiras, especialidade de que os centros de emprego transbordam, em concorrência com trolhas e carpinteiros de toscos, perante o marasmo da construção civil e a paralisação dos trabalhos no túnel do Marão.

Realmente um estado social, de que toda a gente fala e que ninguém define, tem que preocupar-se com ocupações básicas, em que as qualificações são baixas e os conhecimentos iguais a zero. É aí que o governo evidencia a sua sensibilidade social e o reciclado ministro Relvas perdia o sono e sofria patrioticamente as noites. E tal é a preocupação do governo que este, para que lhe não falte matéria prima, tenciona começar por despedir na função pública quem tiver mais baixas habilitações para, de seguida, lhes dar formação profissional adequada e os empregar de novo. Como “financial advsiers” ou “assets managers”!

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