12 de abril de 2013

Vai gordo o Douro


Vai gordo o Douro. Gordo e sujo. Feio, castanho, barrento. Encorpado, mostrando o físico, correndo tranquilo e atento. Vendo o que se passa à sua volta, o que se mexe no leito. Não chegou à linha das margens, está longe de as ameaçar e de invadir terrenos onde às vezes o leva a fúria do caudal. Mas quer mostrar-se musculado, pronto para o combate, se as condições a isso o obrigarem.



Nada o incomoda o vento desabrido e frio que vindo da foz sopra contra a corrente. Nem reage, não se lhe enruga a pele, não se lhe eriça a imperceptível ondulação com que marcha para o mar, não se lhe põem os cabelos em pé. No leito as embarcações encostam-se a alguma proteção que as margens lhes possam oferecer, resguardam-se, encolhem-se com receio de que o rio possa tomar a mal qualquer movimento não denunciado.

Não mostra nenhuma violência, não ameaça, não assusta. Só corpo e força, calma e tranquilidade. Impondo respeito, um respeito gordo e sujo.

1 Comentários:

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