24 de maio de 2013

O país de pernas para o ar


Parece que o senhor Miguel de Sousa Tavares, conhecido adepto do Futebol Clube do Porto e proprietário de um monte alentejano, escreveu mais um livro, na sua persistente luta contra o analfabetismo e como desinteressado contributo para o novo acordo ortográfico, que se faz velho sem que entre em vigor e sem que o senhor Vasco Graça Moura o celebre em eruditos versos alexandrinos.

Escrever um livro é um acto heróico  como fazer um filho e plantar um chaparro. Como se sabe são os três actos que realizam um homem e o fazem entrar no restrito número de cidadãos a quem a troica e o senhor ministro das finanças reservam alguma consideração, desde que não peçam crédito para uns dias de férias nas Caraíbas.

Vai daí, e como é previsível e justo, foi o senhor Tavares convidado para entrevistas, declarações avulsas – incluindo a do IRS -, idas à televisão, motivo central das crónicas dos gatos fedorentos e, talvez, inspiração para um dos próximos sucessos musicais do senhor Quim Barreiros. E numa dessas entrevistas alguém, menos avisado ou mais bronco, lhe terá falado – presumo! – no senhor Beppe Grillo. Um respeitável e assumido palhaço italiano que recentemente, com a maior facilidade e como era de prever, bateu nas urnas os respeitáveis políticos transalpinos, incluindo o do bunga-bunga, apenas por ser mais sério do que eles.



Tal foi suficiente para que o conhecido adepto do Futebol Clube do Porto, que não costuma mandar recado por nenhum comentador político, incluindo o filósofo que estagia na televisão pública, dissesse directamente que nós já tínhamos um palhaço e que esse era o senhor Silva, cujo cargo actual parece ser presidente da república, não se sabe porquê nem para quê. E não é que o senhor Silva levou a mal, que a Procuradoria Geral da República abriu um inquérito e que a população de Boliqueime está em estado de choque, tendo mesmo encerrado a escola básica e o centro de saúde?

Mas um mal nunca vem só e, pior do que isso, é que o senhor Beppe Grillo, em defesa da honra, por se sentir ofendido, intenta uma acção criminal contra o senhor Tavares, por difamação. E a respeitável ordem dos palhaços portugueses lhe segue as passadas, exige uma declaração pública de desagravo e mantém a decisão de também agir judicialmente contra o proprietário alentejano, por se sentir grosseiramente injuriada na referência feita.

É o país do avesso, com a troica a persistir no esforço de o endireitar, a taxas de juro de agiota. Para desgosto e inveja do grupo nacional de banqueiros, que não aguenta tal afronta...

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