19 de fevereiro de 2015

Um abraço e duas linhas de ternura

É este sol frouxo, do fim desta manhã de inverno, geometricamente emoldurado pelas retas paralelas da linha férrea que me vai trazer o comboio que virá do infinito, com paragem marcada nesta cais deserto onde me acotovelo com o meu silêncio e esta tua longa ausência agreste, sem limite e sem medida. E serás tu a encher cada canto do mesmo cais em que me perco, raio de sol brilhante e único, enchendo-me os bolsos de esperança e a vida de sentido, a caminho de um destino para lá do horizonte onde se esboçam nuvens brancas, sem chuva nas entranhas.

Afago-te os cabelos soltos, cheirando ao perfume do dia claro, e bebo-te o sorriso alegre que trazes pendurado na face feminina, os braços abertos para o abraço apertado que acolherá o beijo que se desenha na ternura túmida dos teus lábios, oferecendo-se ao sol que se vai escoando por detrás da elevação quase rasteira das colinas que te embelezam o peito onde pulsa um coração de dimensão tamanha.


À passagem pela cidade em que te encerras sinto a quase solenidade de um convento austero e antigo a que te acolhes, despojada de fortunas, os pés descalços para a caminhada que faremos de mãos dadas, um amor seguro e fértil brotando do suor nervoso que nos escorre pelos dedos. E sem medo nem das palavras nem da distância a que se projetam, toco com suavidade cada momento dos teus dias e cada bocadinho minúsculo do teu corpo franzino de rapariguinha. Enquanto te sussurro ao ouvido um arrepio que te faz estremecer e quase te paraliza: não deixes que te perca na curva que o rio faz antes do açude, enquanto o atravessamos ignorando rápidos e correntes.

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