29 de maio de 2015

Todo o teu corpo

Todo o teu corpo, envolto no crepe translúcido da ternura da manhã, uma montanha toda coberta de verde, vales suaves e montes eretos, oferecendo-se ao sol e à escalada, exposto à flor de carícias e de beijos, próximo, muito próximo, à distância breve do perfume que se te liberta dos cabelos. E o sol espreitando ainda abaixo do horizonte, seguindo de perto a alvorada, pronto a erguer-se a oriente, saltando o fio fino e frágil que nos separa do dia claro e da descoberta das horas entrando pela janela.

Os lençóis desalinhados sobre a cama, os raios de sol moldando-se à forma das frestas da janela, acariciando-te o pé pequeno, exposto à luz, como se a esperasse. Sinto que desperto lentamente sobre a esperança suave do teu peito, chega-me aos ouvidos a tua respiração tão serena como o cheiro breve das flores de tília, o teu coração a bater compassado e certo sob a palma da minha mão que esboça uma carícia hesitante, nem sonhos nem vestes de permeio.


Tomo o teu pé entre as minhas mãos, passo um polegar levemente sobre o teu dedo pequenino, quase me parece que estremeces, olho para os lados e nem a luz nem o sol trouxeram consigo o sapatinho de cristal que gostaria de calçar-te. Adivinhas-me os pensamentos, esboças um sorriso, estendes-te por entre os lençóis revoltos, abres os olhos devagar, és toda um beijo e um abraço que me envolvem e que saúdam o novo dia e a descoberta!

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