6 de fevereiro de 2016

Quando amanhece sábado

Quando amanhece sábado e o mar azul se espreguiça em espuma branca pelo areal, há um sol receoso e triste que se atreve a espreitar por entre o amarelo das mimosas que florescem no emaranhado indomável e solto dos teus cabelos. Como se tudo fosse verde e a primavera se anunciasse, acompanhando o olhar que alongas pela manhã que cresce como o tempo, na ponta dos ponteiros de um relógio mecânico suspenso do branco das paredes e do brilho cintilante dos olhares felizes.


É a hora do encontro que marcámos, sem tarde e sem poente que levem a luz do dia para lá das nuvens. Os barcos ao largo, os marinheiros agitando lenços brancos nas amuradas, os cais desertos como se chovesse e o único agasalho fosse a humidade escorrendo da erosão da pedra. Estendo-te a mão, como se um rosa pálido te saísse dos segredos que guardas bem no meio dos teus seios. De mãos dadas são nossas todas as distâncias e todas as palavras com que o amor nasce nas margens dos ribeiros e o voo dos pássaros sulca o firmamento.

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