19 de fevereiro de 2017

Nunca hesites quando a manhã é de promessas

Nunca hesites quando a manhã é de promessas. Abre toda a janela do quarto ao sol que corre de nascente. Acolhe no rosto a chuva oblíqua que atravessa as floreiras arrumadas ao canto da varanda, onde cresce o aroma fresco que te enche as mãos de sede. Chama a primavera, rega as plantas para que possam florir com saudades do efémero das camélias. Deixa que a tua imagem se projecte inteira no espelho plano, como se fosses mais do que tu. Solta os cabelos, ergue os caracóis num gesto único que te desnude, como acontece com as andorinhas sob a luz que inunda os beirais. Não enjeites a vida que fechas na palma das mãos, guarda nas gavetas o silêncio que te resguarda a silhueta e os contornos. Preenche-te de confiança e de certezas.


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