A vitória

Perguntei à minha afilhada Júlia que é filha da minha prima Adelina, filha do meu tio António que está doente, irmão do meu falecido e santo pai. Deus o tenha no seu eterno descanso, Ave Maria cheia de graça, em nome de Deus, do Pai e do Filho, que estava sentada no sofá, à minha beira. O que é que ele disse? E começou ela com aquela do Sérgio Godinho que até parece que é surdo, o que é que ele disse, o que é que ele disse, por aí fora. Cala-te mulher! Não foi isso que eu te perguntei e até não gosto desse gajo que usa o cabelo comprido, gosto mais do Quim Barreiros com aquele bigode, credo que até o sinto a picar-me os beiços. O que é que ele disse, o gajo da televisão.
Ah! Disse que a guerra tinha acabado. Ela, a Júlia, sabe destas coisas, esteve de emigrante na Suiça, parece que num restaurante, fartou-se de aviar pizzas e de falar com italianos, sabe aquelas línguas estrangeiras. Fartou-se de ganhar dinheiro, trouxe um carro novo que mete no saco o do presidente da junta, até toca daqueles cedeses pequenos, aquela cantiga engraçada do nós pimba.
Esta manhã estava eu a tratar das minhas limpezas íntimas e pessoais, com a porta da casa de banho fechada, tinha acabado de me levantar, o rádio sempre na Renascença por causa do telefone e do prémio que se tiver sorte me pode sair a mim. E no noticiário disse que eles, os americanos, que são aqueles do gajo do campo de pasto, já controlavam não sei quê por cento da cidade não sei de quê lá nos Iraques. Então a guerra tem sido boa e o desenvolvimento ainda melhor. Pelos vistos desde que prenderam o Saddam para lhe fazerem a consoada o país tem crescido mais depressa do que eles o conquistam. Porque do Iraque do ano passado, com a guerra acabada, não deve haver mais nada para conquistar, não é?
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