30 de setembro de 2012

Tratado sobre a ignorância


Com todo o respeito que me merecem todas as coisas, mesmo as mais obtusas, o senhor António Borges é uma coisa. Uma coisa esquisita, género aventesma, que há anos se pavoneia por aí, ao serviço do FMI e da Goldman Sachs, flutuando sempre nas bermas do poder político, exibindo uma bandeira desfraldada de oportunismo sem regras e sem escrúpulos, desde que cheire a tachos por lavar ou a dólares já lavados, e ser assim um género de Relvas com curso. Nunca assumiu responsabilidades públicas, não se lhe conhecem ideias e nunca se lhe viu obra. Diz quem sabe que nunca trabalhou, não sabe o que é pagar salários, que não sabe o que diz – uma vulgaridade, aliás! - e que é um defensor convicto do aperto do cinto dos outros, especialmente dos previlegiados que esbanjam em telemóveis de última geração parte da fartura do sálario mínimo que, generosamente, lhes pagam.

Com a mesma superior e indiscutível competência propõe a venda da Caixa Geral de Depósitos e o aprovisionamento da secção de legumes do Pingo Doce, com exceção dos tomates. Nos negócios da saúde, de que também sabe tanto como o mais celebrado neurocirurgião, vende em nome do país, compra em nome do grupo Jerónimo Martins e financia a operação em nome da alta finança. Com a tripla vantagem de arrecadar uns patacos num qualquer “offshore” onde os impostos não existam ou apenas incidam sobre a tanga do desafogado indígena a quem sobram o sol e as águas mornas de um mar sem calemas.

Por este fim fim de semana, a fim de combater a crise, saborear uns salgadinhos e dar ocupação aos necessitados hoteis de cinco estrelas, reuniu-se pelos Allgarves um tal de forum empresarial para que foram convidados, também, o ministro Relvas e a aventesma Borges. O primeiro, com propriedade, ética e inatacável moral, citou Vergílio Ferreira – de que terá ouvido falar numa qualquer equivalência – e advertiu para o risco de drescédito da classe política que, com o seu exemplo e as suas patrióticas viagens a Angola, vem evitando. E continuará a evitar, enquanto vergonha e fartar vilanagem forem sinónimos nos dicionários escolares.

Borges aproveitou para apresentar o seu tratado sobre a ignorância que já desde ontem ocupa o “top” de vendas da Fnac, relegando António Damásio para o fim da lista, atrás da D. Margarida Rebelo Pinto e da D. Fátima Lopes. Tratados como ignorantes os empresários presentes lamentaram o encerramento das novas oportunidades e o fim da campanha do Magalhães. E temem matricular-se na escola do ministro sombra, que já lhes avaliou a inteligência, a classificou abaixo de cão e lhes garantiu que, com ele, nunca passarão do primeiro ano. O analfabetismo cresce de novo, os filhos temem pela ignorância dos pais, dispõem-se a ajudá-los nas primeiras letras.

Feliz do país que tem um Borges como assessor polivalente e inteligência brilhante. Porque ter dois seria uma calamidade. Se ter um já é uma tragédia!

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