19 de outubro de 2012

101 anos minha Mãe


Não é que me tivesse esquecido, porque a tua memória me acompanha em cada doloroso passo deste resto de caminho que me falta percorrer. Mas apenas hoje assinalo os 101 anos passados sobre a data do teu nascimento e mais sentidamente ainda te choro a ausência. Tantos anos levei a entender a adoração com que falavas da tua mãe, para lá de toda a infância que não tiveste, de toda a juventude que te roubaram, de toda a vida que enterraste no trabalho sem proveito. E foi preciso que me deixasses só, sem vida, sem carinhos à volta. Foi preciso que povoasses todo o imenso deserto que me rodeia, que revolvesses toda a terra que me espera os despojos inúteis e sem préstimo.

De há cinco anos a esta parte os minutos que passam fazem muito menos sentido, contigo ausente. Não fazem mesmo sentido nenhum. Nem os minutos, nem as horas, nem nada! Chorar-te, minha Mãe, não é destino. Mas é revolta, por não estares!

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