26 de outubro de 2012

Francisco Louçã


Ao fim de treze anos como deputado à Assembleia da República Francisco Louça renunciou ontem ao mandato e deixou o parlamento. Das poucas palavras que pronunciou sobre o assunto retive aquelas em que salientou sair tal como entrou: com a sua profissão, sem subsídios e sem reformas.


Para admirar uma pessoa não é preciso partilhar das suas ideias ou estar sempre de acordo com ela. Mas creio não ser difícil reconhecer que Francisco Louçã assumiu a sua condição de deputado com honestidade. Não se limitou a tratar da imagem e apresentou trabalho, defendeu ideias, sugeriu soluções, teve sentido de humor. Não me lembro de o ter visto ser apanhado em falso, foi uma voz incómoda, que questionou. Até ao fim. Mesmo que eu, em resultado da experiência, me confesse desencantado com a atividade política, a menospreze e a não siga de forma intensiva.

Numa época em que a democracia vai sendo progressivamente encerrada nas caixas fortes dos bancos e não é, definitivamente, opção nos corredores de Berlim ou de Bruxelas, creio ser de salientar a forma como se entregou às suas funções de deputado. Coisa que se não pode fazer em relação a muitos que jazem e se eternizam pelo hemiciclo. Tratando dos negócios!


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