22 de novembro de 2012

Promiscuidades


Sou pessoalmente avesso a todo o tipo de promiscuidades que, como se sabe, são a imagem de marca do país. Na política começa na Presidência da República, continua no governo, segue no parlamento, estende-se à mais recôndita junta de freguesia entre o nordeste transmontado e o sudoeste algarvio. E ao processo devem associar-se, com honrosas exceções que nem importa mencionar, institutos públicos, fundações, entidades reguladoras, empresas municipais e por aí fora.

Uma das promiscuidades mais relevantes será a da política com o futebol. O presidente do Benfica, um entendido em matérias de gestão e enriquecimento, por exemplo, enaltece a importância económica daquilo a que chama a “indústria” do futebol. Sabendo-se que a atividade não produz bens essenciais, sempre foi desenvolvida por instituições, vulgo clubes, mais do que tecnicamente falidos e tão carregados de calotes como o país. Apesar disso nada lhes acontece e político que se preze dá tudo e mais oito tostões para ser visto no camarote da presidência dos estádios.


No seguimento disto um deputado, desinteressadamente ao serviço do país, perdendo dinheiro e excedendo-se nas peixeiradas para conseguir lugar elegível nas listas, frequentemente licenciado em direito, por equivalência ou em dia feriado, falta às sessões do parlamento para defender um qualquer arguido no processo do Apito Dourado, se ainda os houver. Porque, como assegura a Dra. Cândida Almeida, em Portugal não há nem corruptos nem corrupção. Apenas ameaças!

Assim sendo não compreendo, nem aceito, que um deputado da província, beneficiando de ajudas de custo miseráveis, chegue apressadamente a São Bento na segunda feira à tarde, participe em programas desportivos para linchar os árbitros à terça, trate de negociatas à quarta, escreva para um jornal à quinta e tenha de partir apressadamente para o fim de semana na sexta feira depois do almoço. E nos dias que ainda sobram possa, de forma patriótica, devotar-se ao interesse público, ao desenvolvimento do país e ao enriquecimento, mesmo ilícito, porque prudentemente sucessivas maiorias têm impedido que o mesmo  seja criminalmente penalizado. Não vá o diabo tecê-las: o que não seria de alguns detidos no domicílio, com pulseira eletrónica e garantidamente inocentes e de mãos limpas, depois da prescrição de todos os crimes de que são vilmente suspeitos...

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