4 de novembro de 2012

Valentim Loureiro explicado às criancinhas


O impagável comediante Valentim Loureiro voltou a ter esta semana os orgãos da comunicação social à sua disposição, sempre dispostos a recordarem ao país o génio do plumitivo major, comerciante, industrial, dirigente desportivo, autarca, empreendedor, patriota e outras. Condenado há uns anos, no âmbito do processo Apito Dourado, em que era arguido como dirigente exemplar da bola indígena, à perda do seu mandato de autarca, viu agora a sentença confirmada por um tribunal superior.

Não é preciso recordar nem ao país, nem ao concelho de Gondomar, onde fotografias do major, em traje de gala, decoram as salas de aula das escolas e os galinheiros dos eleitores, que o processo foi desde sempre uma maliciosa invenção do ministério público. No país e arredores, incluindo a troika, todo o mundo sabe que o futebol nacional é um exemplo de transparência, de honestidade e de boa gestão. E que o plumitivo major batatas não tem nada que se lhe aponte mas que, apesar disso, sempre foi vítima da inveja pela sua inteligência, pela sua conduta e pelo seu sucesso.


Tinha apenas vinte anos e frequentava a escola do exército. Prestável, assinou em vez de um colega, por acaso sem conhecimento deste, de forma a poder receber-lhe o ordenado e poupar-lhe trabalho. Sabem o que aconteceu? Inacreditável, mas foi acusado de falsificação e expulso da escola. Mais do que injustiça tratou-se de ingratidão.

Mais tarde, em Angola e em 1965, como oficial de administração militar, adjudica o fornecimento de batatas a um comerciante, ao preço de 4 escudos o quilo quando o valor real era de 3 escudos e meio. A diferença de 50 centavos era distribuída pelo infatigável major e por um outro oficial para promover a economia regional e aumentar o volume de vendas do comerciante. Arrecadou com isso cerca de 260 contos, a valores da época. Foi louvado ou promovido? Inacreditável, mas foi expulso do exército pelo governo fascista e corrupto que conduzia os destinos da megalomania nacional.

Pelo caminho, como patriota, é implicado no MDLP como financiador do movimento. É condenado em Pombal por insultos a um elemento da GNR. Envolve-se em incidentes com guardas da antiga sexta divisão do Porto, chegando a ser detido e expulso. Lesa o BCP depositando um cheque volumoso, sem provisão, e sendo ilibado por ter sido enganado por um banco da Costa Rica, o coitado. É acusado por um polícia, num jogo do Boavista, por lhe ter chamado analfabeto em virtude de o não conhecer quando até o presidente da república o convidava para o chá das cinco. Insulta vários agentes da autoridade numa rua da Foz dizendo-lhes:  "Vocês são uma merda. A Polícia precisa de um comandante que vos ponha na ordem. Ainda bem que vai haver polícia camarária.". Poucos anos depois insulta um polícia que procedia à identificação da sua mulher por esta ter estacionado o carro em cima do passeio e no enfiamento de uma passadeira (sendo mulher, e ainda por cima esposa do major, que melhor sítio para estacionar?). Valentim recusa depois identificar-se, alegando que o polícia o conhecia muito bem.

Tudo desinteressadamente, tudo por amor à pátria, à sua subsistência, ao bem estar da família e ao futuro dos descendentes. E vem agora a decisão de um tribunal confirmar-lhe a perda do mandato como autarca. Nem morto! Mais fácil é que o tribunal seja extinto e os juizes encerrados no forte de Peniche.

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