21 de abril de 2013

Vila do Conde, Mosteiro de Santa Clara


Não sei explicar porque gosto tanto de Vila do Conde. Mas creio que o principal factor será a tríplice cumplicidade entre a cidade, o mar e o rio. Para além da paixão pelos aquedutos e do fascínio pelos arcos. E, também, pela imponência do Mosteiro de Santa Clara, erguido escarpa acima, na margem direita do rio Ave.



Fui lá hoje, uma vez mais. Para voltar, também eu, vergado ao peso da vergonha. Porque um país que vende a preços de saldo, em negociatas de ajuste directo, os bens que herdou do passado, não pode aspirar a mais do que à tutela que tem. Um país que deixa ao abandono a património que possui e que o deixa ruir, não é digno de coisa nenhuma. Nem do património nem do povo que o ergueu com o seu esforço e o pagou com o suor do seu trabalho.

Nunca me foi possível visitar o mosteiro, por estar encerrado. Sempre pensei que ao menos estivesse minimamente protegido. Hoje, um portão improvisado, caído à força do caruncho ou do vandalismo, deu me acesso ao pátio. O cenário é mais do que dantesco. Portas, janelas, vidros, tudo partido. O interior, no muito pouco em que me arrisquei, tem o aspecto de degradação que ressalta de algumas imagens que aí vão e que não há palavras para descrever. No jardim, junto ao rio, um cartaz exposto recentemente, arrola datas e factos. Não justifica, não garante e não promete nada. O Mosteiro de Santa Clara, em Vila do Conde, é uma vergonha nacional!

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