27 de junho de 2013

Pela insurreição geral

Acorda! Discorda, reclama, indigna-te, protesta. Une-te ao teu presente e ao teu futuro. Une-te ainda mais vigorosamente ao futuro sem horizontes que persistentemente vão cavando para os teus filhos e para os filhos deles.

A pretexto de uma democracia representativa, que não existe, vão-te repetindo que tens vivido acima das tuas possibilidades. Como se isso fosse ou pudesse ser verdade. Cria-se nos dias que correm muito mais riqueza do que se criava no tempo dos teus pais. E apesar disso, mesmo com grandes sacrifícios, eles tiveram emprego, mandaram-te à escola, garantiram-te as necessidades básicas.



Há hoje muito mais riqueza, muito menos distribuída e muito mais concentrada. Uma madrugada de abril prometeu-te cuidados de saúde gratuitos e de qualidade cada vez maior. E como resultado obrigam-te a pagar por cada pílula que te receitam, por cada consulta em que te atendem, por cada injeção em que te espetam uma agulha nas nádegas. Prometeu-se-te ensino gratuito para os filhos, de forma a prepará-los para uma vida melhor do que a que tens. Subverteu-se o sistema, cobram-te pelos livros, pelos cadernos e ainda, a título de propinas, por aquilo que nem imaginas. Para depois teres filhos no desemprego, habilitados com uma licenciatura e com um mestrado. À espera da rainha santa e do milagre das rosas que lhes dê o pão a que a espécie humana tem direito, segundo a ordem natural das coisas.

O arremedo de democracia representativa em que vivemos não é um simulacro, é uma farsa em que cada deputado se representa a si próprio e enriquece ilicitamente às escâncaras. E vive impune e descansado, rodeado de tratamentos por vossa excelência, no mundo nebuloso que te vedam e onde se consome champanhe francês como se fosse aguapé. A presidente do parlamento, incapaz para o trabalho aos 42 anos, e sem vergonha para o resto dos seus dias, expulsa do edifício aqueles que diz serem os seus donos. Apenas porque viraram as costas, como sinal de protesto, a meia dúzia de parlamentares que deveriam responder às chamadas nos pátios das prisões e mantidos acorrentados no interior das celas, para prevenir a fuga.


Anima-te, mobiliza-te, ergue-te e caminha. Vai para a rua! É preciso que o povo encha becos, travessas, ruas e praças. Trazendo para a rua a determinação suficiente para mudar o estado de coisas e garantir que o sonho da madrugada de abril não foi em vão. Nem sequer a revolução francesa! Mas fica com a certeza de que nunca teremos aquilo por que não lutamos. Nada, nunca, nos cairá do céu. Nem do regaço da rainha santa!

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