9 de julho de 2013

O circo

Portugal nunca foi nada que não fosse um circo e creio que o próprio Eça o pensaria. Tem é mudado o elenco e a qualidade dos artistas, quase sempre para pior e cobrando honorários mais elevados. Atualmente o circo quase se resume a um miserável espetáculo de palhaços, alguns sem carteira profissional que, como sempre, improvisam os números com que julgam divertir a plateia.

A semana passada o palhaço Paulo Portas, usando fato de marca e gravata de seda, apresentou um novo número surrealista, de sucesso garantido e irrevogável, idealizado pela sua consciência. À deixa veio de imediato responder o protagonista de Massamá, o único patriota que o país conheceu desde 1974, assegurando que não aplaudia o diálogo, se não demitia e que não abandonava o seu país. Esta preocupação, porque me atinge como cidadão, sensibilizou-me de forma especial e quente. Tanto, que ainda sinto calor...


Mas vá lá, as dissidências acabaram por ser ultrapassadas na taberna de um hotel qualquer, entre duas imperiais e um prato de caracóis  e o palhaço chefe lá foi à sede para contar o episódio à múmia. Logo os jornais disseram uma coisa e o seu contrário, sempre com base na opinião irrevogável de fontes mais do que seguras. Dizendo uns que a presença do palhaço Portas era exigida e outros que não era exigida, o que levou a múmia a encomendar um comunicado a um aprendiz de feiticeiro para comunicar à arena que de facto não dissera nem pensara nada. A única coisa que era de todo dispensável porque se sabe que dali não sai nem palavra nem pensamento.

Hoje a notícia é que o inquilino de todos nós, ouvidos que tenham sido todos os grupos de forcados, anunciará aos mortais a sua régia decisão. Como se de facto fosse ele , pela primeira vez, decidir alguma coisa de jeito, ainda por cima depois da auscultar a opinião de terceiros e de ponderar todas as hipóteses na missa de domingo, a que foi de maria ao lado e terço no bolso. Mas a decisão já antes tinha sido tomada pelos tutores que garantem a capacidade jurídica a quem a não tem, por insuficiência de QI. Tanto assim que já ontem houvera cumprimentos e felicitações a quem ainda não fora indigitado nem tão pouco se supunha que o viesse a ser. Coisas da alquimia e do caraças...


P.S. Já agora atentem no humor corrosivo do comunicado da foto: o palhaço Portas afinal cumpriu. Não volta a ter nada a ver com o ministério dos negócios estrangeiros, passa a ser vice primeiro-ministro. E as calças de um não têm, obviamente,  nada a ver com o cu do outro...

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