15 de abril de 2016

Uma pequena gota de orvalho

Uma pequena gota de orvalho escorrendo pelo gume da manhã, uma lágrima delicada tingindo-te de fresco a face de ternura, sublimando-se no nó cego que é esta paisagem em brasa, ventre todo feito de urze e de granito, por onde cresce o rio à procura da nascente. Apenas um irrequieto fio de água brotando-te dos pés, deixando a memória presa ao musgo que cobre as pedras onde fica reflectida a primeira imagem, um suspiro sensual pendurado nos raios de sol que vêm de oriente e que te trazem o ar puro que respiras e o cheiro magnífico das flores de cerejeira com que enfeitas o sorriso.


Os sonhos são como medronheiros crescendo nos penhascos, cobrindo toda a encosta íngreme que cai para o desfiladeiro, corando de vermelho e de maduro os frutos, ao sol de setembro, a doçura do mosto correndo nas bicas dos lagares, o engaço espremido a caminho dos alambiques, a parra ensaiando forrar a ouro o desenho geométrico dos socalcos. As palavras rudes de Torga projectadas no horizonte, os carreiros estreitos por entre fragas e vinhedos, levando ao promontório onde se situam a capela e o posto de comando, pontos e contos da montanha onde nasce o paraíso.

1 Comentários:

Às 5:29 da manhã , Anonymous alfacinha disse...

Lindas palavras
um visitante

 

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