21 de dezembro de 2018

Poema escrito por um zangão [*] sobrevoando o marquês de pombal


Começa-se assim o poema pelo fim
Como nos aviários se criam as galinhas
Pelo ovo com clara e gema
Como também se começam as adivinhas
Antes de serem estrelados
Ainda guardados nas entranhas da pedrês
Com a manteiga já quente na frigideira do chinês
Veste-se-lhes um colete amarelo

-  E o que seria do cinzento
Se alguém gostasse do amarelo
Mesmo com sabor vínico a canela e a martelo –
E abrem-se as portas do balneário
Como se o Estoril
Mesmo com a cor desmaiada
Se equipasse ao contrário
E usasse jogar no pelado do campo pequeno
Após cada sorteio para a taça
E considerados a tangente e o cosseno
Mobilizam-se todas as forças que haja
Incluindo a polícia que adormece
Sentada às secretárias cambadas da esquadra
Deixando a ramela enferrujar os gatilhos
Que fugiram de tamancos
Para protegeram a limpeza dos coletes
E a chatice parda dos sarilhos
Não venha o caso ainda a colher
O voo ousado das gaivotas
Que nos estraga o gel do penteado
Quando a cabeça está ocupada com a quadratura do círculo
E elas nos sujam as biqueiras das botas
Mas lá se conseguiu o objectivo
Com mais facilidade do que fixar o défice
Ou o coitado do salário mínimo
E os comentadores vão ter muito assunto
- com um copo de tinto e um naco de presunto –
Para encher a antena durante toda a semana
Incluindo aquele mais pequenote
E mais maneiro no tamanho
Que lá vai tirando a cabeça do caixote

Difícil foi contar os elementos da multidão
E assegurar-lhes completa segurança
Porque se esperava mais de um milhão
Crescendo ainda a esperança
De contar pelos dedos mais um montão
Se tivesse chegado a tempo a camioneta de bragança
E todos juntos enchessem a rua da betesga

Mas as coisas são como são
E não foi possível somar o tal milhão
Tão facilmente contados pelos dedos da mão

[*] – Vulgo “drone”, vocábulo do português ultramoderno, um século depois do acordo ortográfico continuar a aguardar promulgação de todos os subscritores.

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